Tem um filme que eu adoro chamado Ruth em Questão. Com a Laura Dern. E que mostra como a Ruth é esquecida em nome de uma causa. No caso, o aborto. Grupos pró e anti aborto tentam manipulá-la e transformá-la em símbolo etc. E ninguém pergunta o que ela quer. Enfim. Eu nem vou discorrer muito sobre os problemas que uma mulher que assume que foi abusada sofre. Porque eu parto do pressuposto que todo mundo já sabe. Mas eu acho que a gente nunca pode perder de vista que a Monique é uma PESSOA. E que ela decide o que fazer. Lutamos pelas causas todas e continuaremos lutando, companheiras. Mas o fundamental é que a palavra dela prevaleça. Como eu já tinha dito. Eu não tenho saco pra explicar que estupro não é sexo. Porque tô velha mesmo. E deixo pras meninas esse rojão. E tanta gente fez isso de explicar. Não só que estupro não é sexo, mas que abuso também não pode. Que não é não. Que carícia sexual em pessoa desacordada é errado e ponto. E da parte que nos toca* deu tudo certo. Havia forte indício de que o caso seria ignorado. Não foi. Daí a gente não pode passar, acho. Ninguém consegue ler os pensamentos de ninguém. Nem decifrar alma. Nada disso. A Monique falou, tá falado. Eu penso que faço umas lutinhas aqui e ali. Mas mulheres maiores do que eu fizeram uma lutona. E deram isso aí pra gente. Nossa palavra vale. Não precisa de pai nem marido. A nível de militância? Vamos ficar batendo bumbo a respeito dessas coisas. Derrubando tabus. Discutindo questões. Pessoas não.

*Pois é. Nóis feministas. E daí?

O movimento feminista não é empresa. Então não solta nota oficial. Eu não estou falando em nome dele. Estou dando minha opinião. Que pode ser confundida com versão oficial porque eu sou militante. E como militante que eu queria dizer pras várias meninas que também militam que nós vencemos nessa. Um problema do movimento é se colocar numa posição derrotista. Nós vencemos. Bial engoliu o amor é lindo com Bonner e tudo.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...