Recordar é viver: 'Hugo'

Muito se fala na revolução que está prestes a acontecer na interatividade televisiva. A transmissão digital de televisão aliada a um canal de retorno (podendo ser internet, ou telefone móvel) criará plataformas interativas praticamente sem limites. Mas interessante mesmo é observar que mesmo antes da televisão em alta-definição, antes da comodidade da telefonia móvel, antes transmissão digital da TV, já existiram tentativas da tão falada “televisão interativa” utilizando os meios disponíveis na época. Hugo Game, que ia ao ar na CNT Gazeta, foi um dos precursores da interatividade. O programa, adaptado para o Brasil pela Herbert Richers ficou no ar de 1995 até 1998 e produziu uma geração inteira de fãs que mesmo possuindo video-games de ponta, internet de banda larga e televisão paga com inúmeros canais ainda guardam o troll e o game na memória e no coração.

Hugo, esse troll cuja aparência física fica entre feiura e fofura, foi criado pelo estúdio dinamarquês Interactive Television Entertainment em 1990. O personagem serviria como avatar em um jogo para um programa infantil de televisão interativa. O sucesso foi tanto que em pouco tempo Hugo ganhou programas em mais de 40 países e fez com que a franquia fosse estendida para jogos de video-game, computador, álbuns de figurinhas, revistas em quadrinhos e tudo em que fosse possível aplicar a marca.

O programa Hugo Game era um híbrido do video-game e da televisão e por isso chamava a atenção de qualquer criança ou adolescente em posse de um controle remoto. Os apresentadores eram divertidos, passaram pelo comando do programa a Vanessa Vholker, Mateus Petinatti (o mais engraçado), Andrea Pujol e Rodrigo Brassolotto. Mesmo com alguns apresentadores carismáticos, o destaque era mesmo o mascote do programa. A dublagem de Hugo ficou por conta da Herbert Richards, e representava o toque de humor, inocência e brasilidade que o programa carregava. Não há como esquecer as rimas criativas do troll que falava “subindo a montanha… sem fazer manha!” antes de começar um jogo ou “não tem chorôrô, esse jogo acabou!” quando chegava a hora do game over.

A história do game era simples: Hugo vivia com sua esposa, Hugolina e seus filhos Rit, Rat e Rut em uma espécie de floresta encantada. A vida tranquila do troll-herói é interrompida quando a malvada bruxa Maldícia sequestra toda a família do Hugo. Ai entrava o telespectador-jogador que ajudaria Hugo a enfrentar missões e chegar até o calabouço onde estava Maldícia e os reféns. O jogador guiava Hugo pelo telefone e mesmo que tivesse habilidade, no final, teria de contar com a sorte ao escolher uma de três cordas para puxar e definir o seu destino.

Há mais ou menos cinco anos a BAND havia cogitado ressuscitar o programa, mas a atração nunca saiu do papel. A ideia de ter um jogo em tempo real pela televisão é bem bacana e com certeza sairia na frente em relação aos game-shows infantis como os praticados pelo SBT. A comunidade de fãs de Hugo também anda nostálgica e o momento não poderia ser mais propício para isso. Então fica o apelo: tragam o hugo de volta!

Vamos ver um vídeo? Afinal de contas, “Recordar é Viver”!

http://www.youtube.com/watch?v=iNqh7y0B-yA&feature=related

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...